Todos conhecem a parábola do filho pródigo. A história do filho que abandona a vida confortável ao lado do pai e do irmão, para se lançar numa aventura alimentada de prazeres carnais, que (sem surpresas) não se demora, até que ele traça um caminho de volta para casa, não sem antes passar por uns maus bocados e ter seu caráter previamente moldado.
Não há exemplo maior que Deus usa as consequências de nossas escolhas ou tempestades que Ele eventualmente cria para nos ensinar - através da dor. Este é o modo de ensino mais eficaz, e, nem sempre funciona.
Pessoas obstinadas, teimosas, cabeças duras, que sabem que estão erradas, sabem qual seu destino, diante de uma exortação, não mudam de caminho. Elas querem dar a cara a tapa. Querem saber mais, ser maiores que Deus, tomar as próprias decisões - é na hora de conviver com elas que o cinto não afrouxa.
Não estou apontando. Estou falando de mim mesma. É como dizem: "quer falar dos meus defeitos? Me chame. Tenho outros a acrescentar". Eu não conheço o amor de Deus. Acredito nEle, mas é aquela crença parcial, aquela crença de "espero nunca depende dEle", aquela ideia fantasiosa de um velho de barba branca, que mora entre as nuvens e faz cara feia pro pecado. Não tenho 6 anos, mas essa é a imagem que tenho de Deus.
Vivo dizendo que Ele não se revela a mim, que não cria circunstâncias, que eu faço parte dos renegados (tal coisa nem existe), que tudo para mim é mais difícil, que a fé de todos é mais consolidada, que qualquer um tem mais dons do Espírito e que jamais serei como eles. Que nem grão de mostarda minha fé consegue ser.
Acredito que eu, morrendo neste exato momento, vou direto para o inferno, pelas coisas que fiz e pelas que deixei de fazer, e lá, me infiltrarei na parcela de pessoas que se julgavam inferiores demais, indignas demais do tempo ou do amor de Deus, ignorando Sua existência por completo e se fazendo de vítima da própria choradeira.
Aí, vai ser um pouco tarde pra cobrar a misericórdia de Deus e colocá-lo a prova. Todas essas coisas que disse só atestam que essa resistência é maligna. Figurativamente, é a resistência do próprio diabo em soltar meus braços, minhas pernas, meu coração, submersos no plano espiritual, sob o olhar de Deus, que eu não sei definir, permitindo apenas que eu colha o que plantei.
E o que eu posso dizer... Nessa briga de braço que, eu tenho certeza, Ele ainda pena por mim, eu já teria desistido há muito tempo. Não por eu não ter jeito, pois Ele pode todas as coisas, mas por eu jamais ter merecido. E digo isso sem falsa modéstia. Sou mesmo a mosca da merda do cavalo do bandido. E espero não estar insultando o próprio inseto, que vive pouco, faz menos ainda e ainda é para glória de Deus.
Vejo toda essa situação, como observando de cima, me sentindo culpada por algumas coisas, lerda em outras, burra, estúpida, cabeça dura, são tantas coisas pelas quais me condenar, e todas, TODAS RUINS. O Espírito Santo realmente se foi, e só restaram as partes podres. Mas em meio a esse lixo, ATRAVÉS DELA EU A ENCONTRO (confuso, porém): a misericórdia de Deus.
A misericórdia DE DEUS, que homem nenhum jamais sentirá uma fração por outro, apenas sua radiação sobre a própria vida. Foi o que abriu meus olhos esta manhã, depois de eu ter claramente pedido que Ele não o fizesse, mas Ele sabe o que é melhor pra mim. É a misericórdia de Deus que mantêm o amor de algumas pessoas por mim, depois de eu as tê-la magoado e decepcionado, grandemente, e não podemos esquecer do próprio Deus, a quem machuco um minuto após o outro, com minha boca suja, minha mente mundana e meu coração enganoso.
Deus não é mesmo menino. Ele conhece todas as coisas. Sonda todos os corações. Não há oculto para ele, ou desconhecido, o Criador conhece a criatura. Oh, Deus... Tende piedade de mim, Senhor! Sou uma molécula de ar nesse mundo vasto e sujo. Sou fruto do pecado, sou ele puramente, a única pureza que consigo ter neste momento é esta: a de representação do pecado, sua personificação sombria e desprezível. Oh, Deus... O Senhor não lê estas palavras aqui, lê-as primeiramente em minha mente... Quanta vergonha já Te dei, quanta lágrima já Te levei a derramar, quanta desesperança, quanto amor o Senhor tem demonstrado por mim, e eu, jogado na lama...!
Oh, Senhor, por que não cerra esses olhos para sempre? Até nisso consigo ser egoísta! Nem o Filho do Homem quero esperar, para não passar pela humilhação de não ser arrebatada! Ver os meus partindo... E ficando para a vinda do anticristo. Oh, Deus! Os dias já são difíceis, mas em breve, descobriremos que bom é este tempo... Em breve, não haverá mais como adiar... Não haverá mais escolha a tomar, o fim já será fato.
Nenhum comentário:
Postar um comentário